domingo, 6 de julho de 2008

EDITORIA NOITE - MATÉRIA 4, por Raimundo Aquino

Ideal para cair na noite
Por Raimundo Aquino


Há quem diga que lá é o “templo da house music”! Outros o definem como um “inferno”, por causa do calor e da quantidade de pessoas presentes em cada uma das duas noites de festas semanais. Mesmo assim, o Cine Ideal, que fica no Centro do Rio de Janeiro, é referência em casa noturna para o público homosexual carioca. Mas não são só eles que aparecem por lá; heterossexuais também marcam presença e conseguem se divertir tanto quanto os homossexuais.

“Sou presença constante no Cine Ideal. São poucos os sábados que deixo de ir pra lá. O ambiente é bom para dançar e me divirto muito”, diz a estudante Ana Julia Cabrera, de 23 anos, que sempre vai à casa noturna com o namorado.

O casarão é de 1907 e funcionou como cinema por mais de 50 anos (até 1961). Logo após, passou a ser o endereço de uma sapataria até 1994 quando sofreu um incêndio. Depois de uma reforma passou a servir de espaço para eventos fechados de empresas para, mais à frente, dar lugar ao Cine Ideal.

São duas festas por semana: a “Habeascorpus”, às sextas-feiras, e a “Ideal Party”, aos sábados. Tanto em um dia quanto no outro, a música eletrônica reina na pista principal e no terraço, aonde muitos vão para pegar um ar ou mesmo sentar em uma das cadeiras que estão por lá para bater um papo, o DJ Great Guy toca um pouco de tudo, na chamada pista pop da casa noturna.

“Um dos grandes atrativos do Cine Ideal é, sem dúvidas, a bebida liberada. O cliente paga, no máximo R$ 28, e pode beber cerveja, vinho, gummy, refrigerante e água, fora drinks especiais que são servidos em algumas festas, como cuba libre e wisky”, afirma Victor Moreno, promoter da casa.

Seja por causa da bebida ou não muitos fazem do Cine Ideal a Meca da comunidade gay do Rio. É lei ir lá pelo menos uma vez na vida.

É o caso do estudante de Jornalismo Eduardo Ferreira. Há dois anos, ele aceitou o convite de uma amiga para se juntar a um grupo de pessoas e entrar no Cine. Mesmo afirmando que não gosta muito de sair para boates, Eduardo diz que se surpreendeu.

“Era mais do que eu esperava, mesmo sabendo pouco da casa noturna. Estava em um grupo de seis pessoas, todas do trabalho, e nos divertimos bastante”, lembra Eduardo, contando que chegou a conhecer um rapaz, que quase virou seu namorado.

Assim como Eduardo, que foi com um grupo de pessoas, muitos outros fazem questão de reunir os amigos para comemorar o aniversário lá. A casa dá uma entrada VIP para o aniversariante deixando-o colocar o nome de até 30 pessoas em uma lista, para que elas entrem pagando R$ 18 até 1h.

“É pensar que você vai pagar R$ 18, beber o quanto quiser, dançar e comemorar o quanto quiser com os amigos”, acrescenta Victor, que perguntado sobre o calor do ambiente brinca. “O calor vem das pessoas que ‘se jogam’”.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

EDITORIA ARTES PLÁSTICAS - Matéria 2, por Thais Ribeiro

Carlos Garaicoa no Rio de Janeiro
O artista cubano monta sua 1ª exposição individual no Brasil

Por Thais Ribeiro



A Caixa Cultural recebe o consagrado artista contemporâneo Carlos Garaicoa, em sua primeira exposição individual no Brasil. Com curadoria de Ania Rodriguez e Rodolfo de Athayde, a mostra é formada por 20 obras - sendo duas delas inéditas – diretamente relacionadas com a realidade brasileira.

A exposição, que leva o nome do artista cubano, está instalada no 2º andar da Caixa Cultural, e poderá ser visitada até o dia 10 de Agosto. São fotografias, maquetes, modelos tridimensionais, vídeos e instalações, que exploram a arquitetura e o urbanismo – marca registrada do artista – num contexto crítico e politizado.

(veja mais fotos)

As duas peças inéditas, criadas especialmente para a exposição, retratam a realidade social do Rio de Janeiro – onde Garaicoa morou durante 8 meses. Na série “Notícias Recientes”, composta por fotografias de fachadas de prédios residenciais do Rio, Carlos reproduz o impacto de uma bala nas fotografias. A segunda obra, ainda sem título, é a maquete de uma cidade feita com livros de arquitetos e urbanistas brasileiros, também atingida por balas perdidas.

Antes desta exposição, Carlos Garaicoa participou da 24ª e 26ª Bienal de São Paulo, e da coletiva “Arte de Cuba”, no CCBB do Rio, em 2006. Além de ter obras suas em importantes museus do mundo, como o
MoMA e o Guggenheim de Nova York, e a Tate Modern de Londres e ser internacionalmente representado pela conceituada Galleria Continua, na Itália.

Para conferir a obra de Garaicoa, a exposição fica na Caixa Cultural RJ (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro), Galerias 2 e 3, de terça a domingo, das 10h às 22h. A entrada é franca.