Machado de Assis, o malandro
Por Natalia Barbosa

Neste ano de centenário será comemorado o centenário de morte do escritor Machado de Assis foi e esta é uma ótima oportunidade para se discutir as obras desse que é um dos maiores escritores brasileiros. Já estão programados vários eventos em toda a cidade, desde reedições de livros, ciclos de debates à conferências promovidas pela Academia Brasileira de Letras.
Uma das facetas de Machado de Assis, que é pouco discutida, é a de formador de opinião em sua época. Suas crônicas, publicadas semanalmente em jornais de grande circulação, eram de grande influência sobre o povo carioca e serviam como um norteador para a moda, política, hábitos e costumes da própria cidade. Ele era um dos que tinha o poder de dizer o que era e o que não era moderno em plena Belle Époque, uma época em que o Brasil e especialmente o Rio de Janeiro queriam esquecer seu passado monárquico e se modernizar.
Nota-se em muitas das crônicas de Machado o sentimento de que ser moderno é agir imitando os franceses, num esforço para se assemelhar a eles, numa completa exaltação do cosmopolitismo. Um texto cheio de citações francesas, que eram transcritas do francês original e a suposição de que o leitor dominasse o idioma, demonstrava toda uma atitude blasé de despreocupação arrogante. Ao mesmo tempo esta atitude blasé dos franceses é também identificada com um orgulho e uma certa fraqueza de caráter, dicotomia expressada pela ironia machadiana.
A partir desta hipótese, tem-se a origem da chamada "malandragem do carioca", uma expressão difícil de definir mas que está vinculado a imagem do carioca. Esta associação se justifica a partir da manutenção da elegância francesa, em busca do que era considerado “chic” e de uma atitude superior em relação aos outros. No entanto a realidade carioca era muito diferente da européia e para mascarar as situações do dia-a-dia, para que pareçam mais elegantes, o carioca incorporou a ironia, a forma blasé de não dar a mínima, de “disfarçar a realidade” e ter uma postura de superioridade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário